EMEI Santa Fé oferecerá 106 vagas para a comunidade do Rubem Berta

Projeto da biblioteca desenvolvido pela ONG Arquitetos Voluntários

A Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Santa Fé, que está sendo construída com o apoio do Instituto Jama, faz parte do programa Infância em Construção, da Prefeitura de Porto Alegre, que reúne instituições da sociedade civil com o objetivo de ampliar o acesso à Educação Infantil. A inauguração da escola está prevista para fevereiro de 2027, para que as crianças comecem o próximo ano letivo no novo prédio. A gestão da EMEI ficará a cargo da Rede Calábria. Com 986 m² de área total, sendo 790 m² de área coberta e 196 m² de área descoberta, a EMEI Santa Fé vai atender 106 crianças.

O objetivo do Infância em Construção é justamente ampliar as vagas na Educação Infantil de Porto Alegre: com a construção e a ampliação de 12 escolas, em parceria com 7 instituições, o programa vai criar cerca de 1.800 novas vagas na cidade, com recursos da iniciativa privada. As vagas da EMEI Santa Fé fazem parte desse total.

O Rubem Berta, na Zona Norte, é um dos bairros mais populosos de Porto Alegre. Na região, a demanda por vagas na Educação Infantil é uma realidade. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 313 crianças aguardam vaga na região do Eixo Baltazar de Oliveira Garcia. Em toda a cidade, a fila de espera reúne 1.556 crianças ainda não designadas.

Com 106 vagas, a EMEI Santa Fé tem capacidade para acolher o equivalente a um terço das crianças que hoje esperam por uma vaga na região.

Para as famílias, a escola representa mais do que uma vaga. Ter um lugar seguro e de confiança para deixar os filhos permite que mães e pais reorganizem a rotina, trabalhem e estudem. Para as crianças, a escola garante acesso a cuidado, alimentação, proteção e aprendizagem desde os primeiros meses de vida.

Uma biblioteca viva no coração da escola

Um dos grandes diferenciais da EMEI Santa Fé é a biblioteca, ideia nascida da própria proposta pedagógica da escola, que coloca a criança como protagonista da aprendizagem. Na Educação Infantil, a biblioteca vai muito além de um lugar para guardar livros: é um espaço vivo, onde as crianças brincam, se movimentam, escutam, contam, inventam e convivem. Por isso, a biblioteca fica no coração da escola, no espaço de circulação, para fazer parte do dia a dia de todas as turmas.

O espaço foi pensado como um cenário para a imaginação, com ambientações que convidam à descoberta e mobiliário na altura das crianças, para que cada criança possa circular, escolher e explorar com autonomia. O projeto da biblioteca foi desenvolvido pela ONG Arquitetos Voluntários.

Os livros fazem parte desse universo, ao lado das brincadeiras, das cantigas, das imagens, das conversas e dos objetos que despertam a curiosidade. Para as crianças menores, a biblioteca é uma experiência dos sentidos, que começa pelo toque, pelas cores, pelos sons e pela voz de quem conta a história. Para as crianças maiores, o espaço abre caminho para recontar, dramatizar e criar as próprias narrativas.

A proposta conversa com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as interações e a brincadeira como eixos da Educação Infantil e inclui entre os campos de experiência das crianças pequenas a escuta, a fala, o pensamento e a imaginação.

A biblioteca dá continuidade a uma marca do Instituto Jama, que já apoiou a criação de espaços de leitura como a Biblioteca Ipê Amarelo, no Espaço Bio Germânia, a biblioteca da Escola Gomes Carneiro e a Biblioteca Comunitária Sabiá do Saibro Sábio (ONG WimBelemDon).

Um projeto pensado para a infância

O projeto arquitetônico da escola é da arquiteta Samantha Diefenbach, autora do Guia de Diretrizes Arquitetônicas Espaços que Educam, publicação viabilizada pelo Instituto Jama e ligada à estratégia Espaços que Educam, da Secretaria Municipal de Educação. O desenho parte das necessidades da primeira infância, para que as crianças possam explorar, brincar e conviver com segurança e autonomia.

Com a EMEI Santa Fé, o Instituto Jama soma esforços com o poder público para ampliar as vagas de Educação Infantil. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, do Todos Pela Educação, que reúne 20 anos de indicadores do ensino no país, 44,3% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam a Educação Infantil no Rio Grande do Sul em 2025, pouco acima da média nacional, de 43,3%, e ainda distante da meta de 60% do novo Plano Nacional de Educação.

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